Monografia

√Č curioso observar o dom po√©tico com que Raul Brand√£o, h√° muitos anos atr√°s se referiam a SILVALDE:

"Entre os pinheiros que lhe servem de pano de fundo e o mar, cuja vastidão azul se perde no horizonte, fica esta freguesia, cuja matriz, torreada e alvinitente, sobressai, servindo de referência a nautas e pescadores.
Nas douradas areias, numerosas juntas de bois alam as redes de pesca de curiosa arte de x√°vega. Nos dias de safra... o lavrador associa-se ao homem do mar. Nesses dias larga o arado e toma parte na campanha, ajudando a alar a grande rede que se usa para estas bandas".

Igreja de Silvalde

O povoamento da parte litoral da freguesia de Silvalde, cerca da lagoa de Esmoriz √© muito anterior as s√©culo XII, porque at√© das √©pocas pr√©-hist√≥ricas ficaram vest√≠gios gravados topon√≠micamente nas imedia√ß√Ķes, como antas ou dolmens e castros. A topon√≠mia antropon√≠mica apresenta duas esp√©cies dentro do territ√≥rio desta freguesia: Silvalde e Rot√£o, evidentes genitivos de nomes pessoais de origem germ√Ęnica, respectivamente Sisualdi "villa" de Sisualdu(s), e Roddani "villa" de Rodda, nome pessoal monotem√°tico.
A forma Sisualdi deste top√≥nimo, era ainda a do s√©culo XI, referente, de facto, a esta freguesia e n√£o a outro lugar, pois bastam para tal ver as confronta√ß√Ķes expressas num documento do s√©c. XI: "inter villa Palaciolo (Pa√ßos de Band√£o) e Sisualdi (Silvalde) fica a lagona usque inlitore maris". Fala-se no litoral do mar, onde fica esta freguesia e na lagoa de Esmoriz, onde chega, e at√© em Pa√ßos de Brand√£o. √ą certo que o nome pessoal Silvaldo, ainda usado nos s√©culos X e XI, daria mais simplesmente Silvaldi-Silvalde; mas a forma Sisualdus mostra um nome como tema sisi, muito vulgar na composi√ß√£o de nomes pessoais (este, usado ainda no s√©c. XI). Parece que Silvalde proveio da forma interm√©dia Silvaldi (com o rotacismo s-r e o desenvolvimento u-v).
A paróquia de Santiago de Silvalde já existia antes do século XIII, e é registada como uma das do arcediago da "terra" de Santa Maria, pelo Censual do Cabido do Porto.
Os direitos do padroado do Mosteiro de Grijó, que aqui possuía haveres vários, deviam existir já na Idade Média; posteriormente, porém, o dito padroado achava-se repartido entre os cónegos do dito mosteiro, o bispo da diocese e o papa, que representavam alternadamente o abade. Este, no século XVII, possuía ainda uns 350 mil reis de rendimento anual.
Igualmente importantes para a história local propriamente dita e para a arqueologia local são dois documentos de 1284, um régio (de D. Dinis) e outro forense, ambos respeitantes à questão entre a coroa, o abade da freguesia e o povo, de um lado, e o abade e o convento de Pedroso, por outro, sobre os limites da parte foreira á coroa, de Silvalde. A descrição dos mesmos fornece elementos arqueológicos de vulto, pois fala do Castro de Ovil e de uma mamoa ou orca, pelo menos, dentro dos ditos limites. Alegava a parte real que o termo era pelo rio Maior incluindo em Silvalde (então já Silvadi) o lugar de Castro de Ovil - o próprio D. Dinis, tão certo do seu direito, chama ao lugar de Silvalde "minha vila foreira de silvadi" - o que a parte monástica contestava, pretendendo entrar em Castro de Ovil, "que é em termo de Silvaldi" (diz a carta régia).
Venceu a demanda de D. Dinis, e de facto se lavrou documento tabeliónico, em que o mosteiro entrega ao Rei o Castro de Ovil, segundo estes limites de Silvalde: "por miogo da fonte que chamam de Loureiro e como se vai à mamoa terrenha" vê-se que o monumento pré-histórico ainda estava recoberto da sua camada de terra, ao contrário das já então ditas "mamoas pedrinhas", a que aludem vários documentos da época).
Fala-se ainda, de uma "lagoa" existente no rio, √° qual chegavam os referidos termos.
Esta freguesia foi anexada ao concelho de Espinho, por decreto de 11-10-1926. Antes pertencia ao concelho da Feira, de cujo foral dado a 10-02-1514, beneficiou.

"Cidades e villas de Portugal"

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