Silvalde Histórico

Provirá do étimo latino "silva" ?.. (sinónima de floresta)
Dada a antiguidade arquivística é possível filiá-lo em qualquer senhor fundiário, e por isso numa "vila Silvaldi". (Diplomata et Chartae, pág. 29) - Ano de 938

Outras formas divergentes no topónimo: "Silvade e Sisualdus 927" - "Sisoalde 971" - "Silvandi 1158" "Sisvaldi 1238" - "Silvaldy 1288"- Silvalde 1043 e 1320".
Existem, todavia, problemas de ordem fonético-fonológica por explicar no percurso evolutivo até ao moderno "Silvalde" deste dito antropónimo germânico, ligado a um fundus visigótico.
No ano de 922 a doação de uma igreja com invocação de Santa Cruz, ao Bispo Gomado e ao mosteiro de Crestuma, atesta a existência da secular Paróquia de Silvalde:
Documento: "...De Portugal dedit aliam ecc1esian in lagona de auuil{?) uocabulo santa cruce cum suos dextros integros uel debito prope littore maris...".
Tradução: "Deu outra igreja da invocação a Santa Cruz no território portuense sita na lagoa de Ovil, juntamente com os seus passais na sua integridade ou com suas rendas, perto da beira mar".
No dia 3 de Março de 1284, Sua Majestade EI-Rei D. Dinis, por carta dada em Santarém, faz saber da sentença que pôs termo à contenda entre ele e os monges do mosteiro de Pedroso, sobre o litígio dos termos de Silvalde.
"...D. Dinis, pela graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve, a todos aqueles que esta carta virem, faço saber que sobre a contenda e demanda que havia perante a minha corte, entre mim, o abade e homens da minha vila foreira de Silvalde de uma parte, e o abade e o convento do mosteiro de Pedroso, que é do Bispado do Porto, da outra, por seu procurador avondoso (bastante) sobre os termos e divisões dessa minha vila de Silvalde, diziam que os termos e divisões de Silvalde eram pelo rio a que chamam "Rio Maior". O procurador do abade do convento de Pedroso dizia que os termos e divisões dessa minha vila de Silvalde não eram pelo "Rio Maior" e que o Castro de Ovil não pertencia ao termo de Silvalde (...)".
"...Mas, ouvida a corte em conselho, ela julgou-os como réus e a essa revelia abriu esta inquirição que acatou e vista e examinada e publicada essa inquirição e havendo conselho sobre ela, achou-se que os termos e as divisões dessa minha vila de Silvalde eram pelo rio a que chamam de "Rio Maior", e assim o julgou e mandou que daqui em diante o abade e o convento de Pedroso não entrassem nem embargassem a mim nem aos homens de Silvalde esse termo...". (Leituras corrigidas)
Com esta carta de sentença (conteúdo de extensa leitura), D. Dinis já terá dado "foral" a Silvalde, cuja confirmação será feita pela "inquirição régia" de 13 de Janeiro de 1284, que julgada, deu sentença condenatória" ao abade do mosteiro de Pedroso. .
No dia 10 de Fevereiro de 1514, D. Manuel I dá "foral" à Terra de Santa Maria, na qual Silvalde fazia parte dos seus termos. Este foral descreve os tributos pagos pelos casais silvaldinos arrendatários das terras reguengas, isto é, das terras aforadas por ordem do soberano, seu direito senhorio.
No reinado de D. Dinis não vigoravam ainda os chamados "forais", mas estavam na ordem as "inquirições régias" que mais tarde serviram para modelo dos forais novos que vieram a substituir as ditas inquirições.
Em sessão realizada no hemiciclo da Assembleia da República, no dia 1 de Julho de 2003 foi aprovada a Lei n.º 77/2003, que eleva a freguesia de Silvalde à categoria de VILA. .

Compilação dê texto "arranjo gráfico digitalizado: Artur Faustino
Colaboração e revisão: Dr. David Simões Rodrigues

 

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